sexta-feira, abril 29, 2005

Descobertas

Hoje descobri umas tantas coisas importantes.
1) A minha sobrinha é sádica e gosta de pisar animaizinhos. Formigas, ratos mortos que aparecem nos passeios e corre atrás das lagartixas para as pisar. Tentei uma abordagem budista, de "gostavas de ser uma formiga e que alguém te pisasse?". Resposta desoladora: mas eu não gosto de formigas.

2) Eu NÃO MATEI o meu porquinho da india. Como calculava, o ter-lhe dado banho não teve qualquer tipo de influência. No entanto, descobri que o facto de eles cheirarem mal pode significar que estão DOENTES. Eu tive um porquinho da india vivo na minha casa durante 24h. Eu não o matei.
Começo a pensar em adquirir um casalinho.. gosto tanto deles..

3) Queen faz-me ficar bem disposta e a sobrinha também gosta. Já desisti de a torturar com sepultura e soulfly, só para ver a cara de enjoo dela. ehehehe.

Oh I want to break free!

PostSecret

Horas tardias para postar seja o que for. Mas acabo de vir parar aqui e ainda estou arrepiada, quero partilhar convosco. Espreitem primeiro.





A ideia de partilhar um segredo. A partir de um postal feito em casa, enviado a uma figura anónima e confessado a uma comunidade de curiosos anónimos que por ali passam.
Que alívio deve ser, que sensação que alguns provocam.
Todos nós temos segredos.
Eu vou enviar um.

quinta-feira, abril 28, 2005

Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
(...)
José Régio
Como é difícil ser assim!

sábado, abril 23, 2005

Ofício de amar


já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras galáxias, e o remorso

um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade do meu próprio corpo

Al Berto, porque me apeteceu.

sexta-feira, abril 22, 2005

Karma

Há uns dias, numa conversa de amigos, saiu-me que estava a ter uma má semana e que teria de recuperar o meu karma positivo de volta.
Seguiu-se uma risada geral. Tentei explicar o que queria dizer com mau karma e bom karma e que não é nada de transcendente, é muito simples até. E faz sentido. O exemplo que dei foi o de uma mesa cheia de gente mal disposta. Não há bom humor que resista a gente mal disposta. E o oposto também acontece, parece que contagia. Assim sendo, se mantivermos uma atitude positiva perante a vida, é normal que as coisas boas se sucedam, uma atitude negativa, atrai pensamentos negativos e acabamos por receber de volta aquilo que atraímos.
Acreditar que uma coisa vai acontecer é meio caminho andado para que ela aconteça. Mas não há nenhuma entidade divina que vá fazer isso por nós. Portanto, cada indivíduo tem o poder para fazer as coisas acontecerem. Não há nada de sobrenatural nisto. É uma questão de atitude.
Numa pequena pesquisa no google, encontrei este artigo. Muito interessante e que explica tudo aquilo que eu não consegui explicar da melhor maneira.
Still laughing now?

"We are not only accountable for our actions but also our thoughts and words. All actions, good and bad, have their origins in the mind. If you entertain thoughts of anger and hatred, if you indulge in them and allow them to grow, then you will attract that in your life. If you speak harsh and accusing words, or spread gossip, eventually it will come back around to you. Strike out and someone will strike back. There is no way to escape this. If you feel you have been the victim of an unjust act, think back on all the times in your past when you thought you got away with some unpleasant behavior. None of us have lived spotless lives. If you are truly honest with yourself, you will find that you have earned the quality of life you have now, good and bad.

The wonderful part of Karma is that it works in a positive fashion, too. If you spread good, good will return to you. Positive acts work two ways - they help erase past bad Karma and they create good Karma. If you are sincerely kind to other living beings, you will have kindness in your own life. If you can freely be generous, then others will be generous with you. Help and you will be helped. This goes for speech and thoughts, too. Your thinking completely determines who you are. (...)

There is a secret to creating good Karma, however - you must do good without expecting anything in return. This is the ironic aspect of Karma - you only receive good if you don't ask for it. Most of us have seen the way this works in our own lives - when we expect something, it makes us feel somehow impure, as if any good deeds on our part have been contaminated. (...)

These are merely side effects of creating good Karma. Any good acts on our part are really their own reward. Look at it from this perspective: any time you've helped someone in need, hasn't it felt great? It's energizing and uplifting. "

quinta-feira, abril 21, 2005

From: Portugal, To: Hawai

Lã de arraiolos, meia feltrada na máquina de lavar, prontinha para seguir amanhã para o Hawai!

Image hosted by TinyPic.com

Very happy with it :)

quarta-feira, abril 20, 2005

Presentes

A carteira hoje trouxe-me dois pacotes gigantes. Um de França e outro dos EUA.
Lá dentro estava... oh.. lá dentro estavam coisas e coisinhas.
Acho que desde criança, nunca tinha recebido tantos presentes na minha vida. Até parece Natal outra vez.

Obrigada Leslie, obrigada Amelia.
You've made my day.

segunda-feira, abril 18, 2005

Lado Esquerdo

Música dos Clã, letra do Carlos Tê.

mas actualmente a ouvir Yann Tiersen, muito alto, os agudos do piano quase que me magoam os ouvidos.

Hoje foi um daqueles dias. Adormeci com um mau pressentimento, dormi mal e inquieta, tive pesadelos. Acordei e abri a porta de casa, à espera de nem sei bem de quê encostado ao tapete.
Nada.
Um pesado nada.
Um vazio nada.

esta voz (Claire Pichet) que chora nesta música, Summer 78, está a entrar-me na alma.

O dia passou assim numa neblina. É mais fácil quando as mãos estão ocupadas com agulhas ou cigarros . Dizem também que é mais fácil não pensar nas coisas. Mas a cabeça não deixa, a não ser quando eu a engano. É difícil.

doem-me as mãos e os pés. Estou pesada, pesada, pesada. Já nem caminho, arrasto-me pelo chão.

Amanhã. Amanhã tudo estará melhor. Amanhã já é dia.

desisto.
cada vez me sinto mais pequenina. mais pequenina. um dia acordo e descubro que me tornei num bicho pequeno e insignificante que se pisa sem dar por isso. um bicho. bichinho. pequenino. pequeníssimo.

*

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

quinta-feira, abril 14, 2005

De há uns tempos para cá que ando a criar umas crises de identidade. Diferentes daquelas da adolescência, quando o mundo inteiro me odiava e eu odiava o mundo. Mas se calhar.. não tão diferentes assim. Há uns dias disse ao Bento que já não me sentia uma adolescente. Mas que também não me sentia uma adulta completa, porque ainda não tenho grandes responsabilidades, nem a personalidade totalmente formada.
Ok, preparem-se, porque vou começar a divagar.
Adoro a minha mãe. Gosto da ingenuidade dela, da bondade natural que ela tem, do facto dela tentar ver sempre o lado bom das pessoas e nunca, nunca, agir com maldade. Sabem que nunca vi a minha mãe ser má para ninguém? Nem para mim, quando risquei a casa de banho com caneta?
Gosto de ter apanhado uma parte dela, com a educação que ela me deu.
Mas a minha mãe é demasiado ingénua, e deixa que se aproveitem dela. E isso consome-a por dentro, porque é extremamente frustrante não saber dizer NÃO a ninguém, nem mesmo às cabras de merda que a pisam constantemente. Eu tento explicar-lhe que às vezes é libertador impor o respeito que merecemos, sempre de maneira educada, claro. Ok, nem sempre. Ela é incapaz.
O meu pai é extremamente intolerante, brusco e foi a figura severa da minha educação. Nunca percebi muito bem o que raio eles vêm um no outro, de tão diferentes que são. O meu pai dava-me horas estupidamente ridículas para chegar a casa, castigava-me quando eu tinha más notas e nunca foi muito carinhoso para mim, ao contrário da minha mãe, que me abraça e dá beijinhos constantemente.
O meu pai teve um esgotamento há pouco tempo e acho que lhe surgiu um arrependimento extremo da maneira como se comportou, tão fria, ao longo de todos estes anos. Há coisa de 2 anos, eu e o meu pai mal falávamos e podia ser sincera ao dizer que gostava dele como meu pai que é, mas não gostava dele como pessoa.
Ele mudou. Olho para ele e vejo outro homem. Mais calmo, mais dado, mais carinhoso, mais compreensivo.
Olho para trás e agradeço a educação que ele me deu, e aquilo que apanhei dele também.
No final das contas, este yin e yang que são os meus pais geraram esta criatura que sou eu, um pouco mais equilibrada que eles. Ainda bem.

No entanto, apesar de todos os dias repensar nas coisas em mim que me fazem ficar triste e que quero mudar, não deixo de me sentir.. incompleta. Falta-me qualquer coisa para crescer, qualquer coisa para me sentir adulta. Responsabilidades? Talvez. Só sei que acordo todos os dias e ao olhar para o espelho da casa de banho não sinto grande orgulho naquilo que sou agora. E o pior de tudo é que me falta a vontade de... a vontade de mudar?

Não, não é a TPM a falar.
Então Ana Carina, o que queres pelo teu aniversário?
Uma caixa.
Uma caixa?
Sim, uma caixa cheia, assim:

Image hosted by TinyPic.com

Cutest thing ever...

Angels in the Promised Land

segunda-feira, abril 11, 2005

Crafty

Eu sei que estou a enlouquecer com estas coisas manuais, mas hoje aprendi a fazer crochet em 15 minutos (Kat, não sei se o que tu me ensinaste se aplica a "saber fazer crochet") e estou viciada. Já fiz 3 flores desde que acabei de jantar e estou vai não vai para levar a agulha e a lã para o café.. hum...
É tão bom ter amigas habilidosas que adoram ensinar :)

domingo, abril 10, 2005

Tenha muita saúuudeeee e amigos tambéeeeemmm...

Hoje o Bravo faz 27 anos. Começou esta idade mítica ontem, à meia-noite. Comemorou-se com um shot.
O Prazeres fê-los há um mês e sente-se nele uma tristeza qualquer. Comemorou-os com uma jantarada de arroz de frango, amêijoas e bolinhos, feitos pelos amigos e com os amigos.
Qualquer aniversário deveria ser partilhado com os amigos, sejam os 27 anos ou não.
Eu sei que o Bravo tem amigos, e ele sabe-o também... Mas não deixo de ficar triste por ele. Eu não gostava de comemorar os meus 27 anos com um shot.
Costuma-se dizer, quem semeia ventos colhe tempestades. Não sei se se aplica.
Parabéns :)

quinta-feira, abril 07, 2005

*sigh*

Se a minha vida fosse dividida por curtas-metragens, a de hoje chamar-se-ia " A luta de uma mulher com a sua máquina de costura ".
Passa-se de uma antiguidade Singer (que me dá luta com a linha de baixo) para uma moderna Singer (que me dá luta com a linha de cima).
Mas a minha carteira já ganha forma.. 2h depois..
É suposto ser um treino mais pequeno (o tecido não chega para uma grande) desta:


Imagino o resultado final.. lol.

Did you remember to eat baby?


"Never get so attached to a poem
you forget truth that lacks lyricism;
never draw so close to the heat
that you forget that you must eat."

quarta-feira, abril 06, 2005

Break On Trough



Esta podia ser uma imagem de um qualquer filme de Hollywood, mas não. É tirada de "9 Songs" que, apesar de poder ser considerado um filme de âmbito mainstream, foi onde até hoje nenhum outro ousou, em termos do que nos mostra, pois apresenta sexo explícito, imaginem :)

O realizador em questão é Michael Winterbottom, autor de filmes como "24 Hour Party People", "In This World" e "Welcome To Sarajevo", e um dos mais conceituados realizadores britânicos. O seu desejo é o de "show people making love, so that we can see a relationship being told through two people being intimate together. I kind of think that when you watch the film, at the start you think it's going to be shocking, but by the end you think, 'Well that's it, they're making love. So what's wrong with that?'"

O filme, à primeira vista, pouco mais tem que uma boa banda sonora e cenas de sexo, vividas entre um geólogo britânico e uma estudante americana que visita Londres durante um ano, alternadas com excertos de concertos, isto tudo num flashback do geólogo quando se encontra na Antártica a recolher amostras.
No entanto, acaba por ter pormenores muito interessantes como a comparação da melancolia e agorafobia que se vive numa tenda no vazio da Antártica com a de duas pessoas numa cama.
A relação entre o casal é extremamente real e reflecte bem as oscilações próprias de uma relação, muitas vezes melancólica e alienada, utilizando o sexo como ferramenta.

Concertos, drogas e bastante sexo. A receita de qualquer casal que se preze ;)
E fica a pergunta, será que alinhar em cenas de sexo explícito passará a ser um requisito para actores vindouros?

terça-feira, abril 05, 2005

Robertos

Numa altura em que tudo me parece igual e rotineiro, cansativo e desanimador, o amiguinho Bento convenceu-me a alinhar num workshop de Robertos que a Câmara organizou, cá em Torres.
Hoje foi a primeira "sessão", onde só conversámos um bocadinho sobre estes bonecros e combinamos os fantoches diversos que vamos começar na 5a feira.
Para quem quiser saber mais, uma breve história deste personagem tradicional da nossa cultura, o D. Roberto e a sua luta contra a autoridade.
Já planeio fazer um dinossauro a partir de uma luva e um D. Roberto muito, muito especial...
Assusta-me a apresentação de um espectáculo dia 30, com as nossas futuras marionetas, mas enfim.. logo se verá :)




segunda-feira, abril 04, 2005

Wish list

I need a revolution in my life.
I need to shout out all the things that are making me sick.
I need to feel a better person.
I need to wake up.

Joanna Newsom

É caro para a maioria das pessoas, dizer que se apaixonam todos os dias, não num sentido romântico mas num sentido mais lato. Comigo não se passa o mesmo, infelizmente. É certo que praticamente todos os dias têm as suas "pérolas", mas não posso dizer que me apaixono por algo diferente em cada um deles.

Mas nem tudo são más notícias :)
Recentemente apaixonei-me pela Joanna Newsom, ou melhor, pela sua música. Fiquei contente, porque já há algum tempo que não tinha um presente destes :)
Se gostarem de rótulos, pode-se dizer que a sua música está dentro de um estilo "atormentado contemporâneo", fazendo a Joanna (para os amigos ;), parte de uma nova geração de músicos (Devendra Banhart, Cocorosie, Espers).
Se calhar já a viram, na Sic Mulher, a tocar a sua volumosa harpa.

Dia 21 podemos contar com a sua presença no Lux, na sequência da sua digressão europeia, iniciada no dia das mentiras, 1 de Abril. Mais uma vez, faz parte de uma nova geração norte-americana, que sabe onde fica Portugal ;)

Deixo aqui os links para quatro músicas do seu álbum The Milk-Eyed Mender:
http://kdewebdev.org/~moura/07 - En Gallop.mp3
http://kdewebdev.org/~moura/03 - The Book Of Right-On.mp3
http://kdewebdev.org/~moura/Sprout and the Bean.mp3
http://kdewebdev.org/~moura/11 - Three Little Babes.mp3

A linda Joanna Newsom :)

sábado, abril 02, 2005

Leave me alone

Foda-se!
Deixem-me em paz, vivam a vossa vida, larguem a minha, não me chateiem, não me aborreçam, não me enganem, digam-me as verdades que tiverem de ser ditas se acham que vão dormir melhor, não pensem que sabem melhor que eu como viver a minha vida. Não ponham o mundo inteiro em cima dos meus ombros, eu não sou responsável pelo sofrimento geral do mundo, eu tenho a minha vida para viver, os meus problemas em que pensar, e não sei lidar com tudo ao mesmo tempo. Há pessoas que valem a pena, e sabem que valem a pena.
Go away and die. And see if I care.